quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Ressuscitar dos mortos
Ouvi dizer que se poderia tentar ressuscitar este blog do mundo dos mortos. Será? Oxalá... Aliás, oxalá eu própria consiga reencarnar a porção que me coube... Sinto falta dela! Mas com tanto tempo passado no outro mundo...
Ora, todos merecem uma segunda oportunidade, não é assim?! E quem sabe se, renascendo, este blog não vem ainda melhor?
segunda-feira, 18 de junho de 2007
De mau humor
terça-feira, 22 de maio de 2007
Blog moribundo
Vamos dar-lhe um pouco de música. Ando numa onda de novas experiências. Por um lado, aconselharam-me a ouvir "Dave Matthews Band" (o meu voto vai para o videoclip de "Everyday", bastante engraçado). Por outro, temos a versäo berlinense de Da Weasel, "Seeed" (näo me enganei, é mesmo com 3 e que se escreve...). Nada como intercâmbio cultural!
Para quem näo gostar, da próxima vez darei dicas sobre as chamadas "músicas lamechas". Pessoalmente, gosto muito de uma balada bem romàntica...
PS: Se näo me derem notícias de vida, vou dar parte de vocês como desaparecidos à Judite!
terça-feira, 8 de maio de 2007
Nirvana: tenho uma dúvida...
Isto pode parecer-vos estúpido, mas é algo que me tem dado que pensar... Os Nirvana eram uma banda do início da minha adolescência e já assim tinham imensos fans dentro da malta da minha idade. Na altura, näo gostava muito deles. Acontece-me, algumas vezes, gostar do trabalho de alguém (ou, pelo menos, de parte do seu trabalho) e näo gostar do(s) autor(es), o que näo parece ter muita lógica, mas näo deixa de ser verdade.
Agora, surpreendentemente, ando como que... é que nem sei dizer! Fascinada näo é o termo. Näo é que agora goste deles, mas näo consigo resistir a ouvir as suas músicas. Será o mito a funcionar? Chegou-me demasiado tarde?!
Há algo de violento e doentio nos seus trabalhos, näo há?! Acho que é isso que me tem desorientada. Sinto como que se quisesse compreendê-los.
Gosto de muitos estilos musicais diferentes, mas admito que isto me apanhou desprevenida...
O que foram os Nirvana para vocês? Expliquem-me lá o que é que se passa aqui.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Instante de rebeldia
E enfim, cá ando eu a fazer o que tenho que fazer, embora muito me apeteça mandar tudo às malvas. A rebeldia preenche-me o coraçäo! Decidi que mesmo tendo de cumprir com as minhas obriagaçöes, näo vou deixar que isso interfira com as outras coisas que acho importantes na vida, particularmente neste ano táo especial. Poderei ter de sofrer nefastas consequências por causa desta minha atitude, mas creio que o pior será, um dia, quando estiver às portas da morte, olhar para trás e achar que deixei demasiadas coisas por viver. De forma que, para o diabo com os exames! O tempo näo é elástico, mas se nos organizarmos bem e formos disicplinados, muitas coisas poderemos fazer. Como ir à praia nem que seja por uma hora (nisso, tenho a vantagem de morar justo aqui ao lado!) ou fazer uma noitada na "Feria del Puerto de Santa Maria", na companhia de bons amigos e colegas. Que raio! Sempre procurei viver ao máximo todas as oportunidades, mas este ano essa necessidade está ainda mais aguçada, näo fôsse o último ano, a hora da despedida, o momento de cruzar para um outro mundo! Isso é significativo!!
Apesar de tudo, näo posso queixar-me de como me tèm corrido as coisas. Gostava, apenas, de que continuassem assim. Já näo estaria nada mau...
Novidades até väo havendo algumas, mas como eu disse, o tempo näo é elástico, de forma que vou ter de ir adiando algumas coisas. O que é preciso é ter calma! Devagar se vai ao longe!
PS: Se os meus pais lerem isto, argumentar-lhes-ei, a conselho de um filósofo, que sou o producto da genética e da educaçäo, de forma que como foram eles quem me deram ambas, a culpa é toda deles!!! lolololololololol ;)
sexta-feira, 20 de abril de 2007
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Uma agradável surpresa!
Este post vai dedicado a vocês, pela agradável surpresa que acabam de me fazer. Francamente, era algo que eu não podia imaginar e que me alegrou esta tarde cinzenta de estudo difícil e aborrecido, em que não conseguia parar de bocejar e divagar em pensamento por onde não devia.
Céus! E agora, invadida como estou por uma tremenda vontad de pôr a conversa em dia, como faço para voltar ao trabalho?! Está claro que é hora de estudo e eu não vos vou interromper... Mas que mal me aguento de vontade para dar à língua, lá isso é verdade! eheheh
Ainda bem que gostaram da TT!! Espero que nos encontremos mais vezes por aqui e que, juntos, estudemos muito e nos divirtamos ainda mais! Beijos aos dois!
segunda-feira, 9 de abril de 2007
A propósito da comunhão das nações...
Não vão acreditar, mas dançou-se ao som de Quim Barreiros e de forró, por obra e graça de dois amigos brasileiros, que costumam trabalhar em Portugal, aos fins-de-semana, com as excursões da terceira idade e que tiram os velhotes para dançar. Até um dos alemães, estudante de geologia, dançou sobre a garrafa (uma brincadeira que os nossos irmãos brasucas gostam de fazer), vermelho como um tomate e uma das marroquinas, com um brasileiro. Dá para acreditar?! Aquilo era uma mini-ONU em dia de festa!
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Europa, Europa...
Isto para dizer que, actualmente, sempre que venho a Lisboa, venho estudar para a Torre do Tombo com a minha mãe, porque sempre tenho alguma companhia. Antigamente, juntávamo-nos e íamos estudando am várias bibliotecas pela cidade universitária, segundo o apetite, ainda que estudássemos coisas diferentes.
Pois bem, cá estou eu na Torre do Tombo (TT para os amigos), labutando pela vida. Mas como agora é hora de almoço, dedicar-me-ei a contar-vos algo que me chamou a atenção.
Entre o os dias 2 e 5 de Abril decorre na Faculdade de letras uma Conferência sobre a Regional Studies, na Europa e nos EUA. Passei uma vista de olhos rápida pelas coisas expostas, como cão por vinha vindimada. Entre os diplomas de assistência que esperavam se recolhidos pelos seus respectivos donos, havia nomes de todos os cantos da Europa e outras paragens. Quando saí do recinto da faculdade, deixei-me estar numa esquina da escadaria principal, observando as pessoas que acabavam de sair da dita conferência. Desde pequena que é um deleite par os meus ouvidos e os meus olhos ver este género de coisas. Estrangeiros, dos quatro cantos do mundo, conversando, discutindo asssuntos importantes entre si, trocando experiências, negociando, aprendendo, convivendo em paz. Sei que o mundo não é assim. Sei que a realidade é bem diferente, mas talvez por isso aprecie tanto estes pequenos eventos. A diplomacia é algo que muito me atrai, mas sou demasiado ingénua para poder participar de algo assim,
Sou uma patriota (que é bem diferente de ser nacionalista) e desde que emigrei para Espanha, ainda que temporariamente, fiquei-o ainda mais. A beleza da vida está nas suas diversidades e é espantoso como num cantinho tão atarrancado como a Europa consegue haver tamanha variedade de línguas e culturas.
Por vezes, sinto-me confusa, como que meio perdida. Sei o que quero da minha vida: exercer a minha profissão com dedicação, construir uma família grande e ter a qualidade de vida que a natureza me pode oferecer num sítio fora das grandes e confusas cidades, mas suficientemente perto delas para poder usufruir daquilo que elas têm de realmente bom. Tal é possível! O que me baralha é esta minha fatal atracção pelo que é exótico, diferente daquil que sou e que conheço.
Se a minha juventude fôsse eterna, viveria um par de anos em várias cidades europeias e não só, simplesmente pelo prazer de as conhecer. Ainda vou a tempo de fazer isso, mas é uma opção de vida que, a longo prazo, não me faria feliz, por me obrigar a abrir mão das outras coisas que, para mim, também são importantes na vida.
Outro dia, alguém me surpreendeu perguntando-me: «Como é que uma rapariga viajada como tu, quer ir enterrar-se na Covilhã?». “Enterrar-se” pareceu-me uma expressão um nadita forte. Já não estamos na infância da minha mãe, em que ela demorava um dia inteiro para ir de Lisboa à Covilhã, num daqueles comboios a carvão, que lhe deixavam o rosto todo negro quando ela espreitava pela janela... É, meus maigos,pode ser incrível, mas naqueles tempos ainda existiam pérolas destas! Se não fôsse ela a contar-mo, não acreditaria!
Por outro lado, sou uma rapariga viajada, mas não tanto assim, Tenho as minhas experiências, entre viagens e emigração e adoro-as. Mas uma coisa é viver fora do teu país e outra, bem diferente, é viajar...
É verdade que quanto mais conheço além fronteiras, mais quero conhecer. Quanto mais palavras aprendo em italiano, alemão ou franc~es, mais vontade tenho de saber as mesmas em russo, hebraico ou chinês, mas desgraçadamente não sou sobredotada e portanto, tenho de ordenar muito bem as minhas prioridades. E o pior de tdo, é que praticamente não conheço Portugal! Fui até aos confins da Europa, visitei os fiordes noruegueses, a Veneza do norte (Estocolmo, para quem não saiba), o país dos Nokia e a fronteira entre o que conhecemos por Europa ocidental e Europa de leste, mas não vi quase nada deste nosso belo jardim à beira-mar plantado. Isto não pode ser!
Enfim, a Covilhã parece-me uma cidade com o tamanha adequado para não ser uma parvónia, nem um inferno e suficientemente perto dos grandes centros urbanos portugueses. Vou tentar a minha sorte por lá e logo se vê. Se não gostar, paciência, mudo de poiso. Em Lisboa, é que eu não quero ficar! Nasci e cresci aqui, adoro a cidade para passear, mas não temnada a ver com o estilo de vida que quero levar...
Por vezes, sinto-me como o nosso velho Cesário Verde, completamente dividida no coração, entre o atractivo espaço aberto que é o mundo e o meu pequenino universo familar, do qual poderei escapar de vez em quando. Num prato da balança, equaciono a vontade que tenho de mandar tudo ás malvas, pôr uma mochila às costas e cair no mundo. No ourto prato da balança, ponho algo importante que o conforto físico de uma casa, ponho a família e as raízes que todos temos e deveríamos ter. Porque uma vida de aventuras também cansa e é muito ingrata no seu final, principalmente se não tivermos com quem a partilhar.
Como patriota que sou, não desejo que o meu país, em território, em autonomia e em cultura, seja absorvido pelos outros. Contudo, não vejo a Comunidade Europeia como um mal, antes sim, como um belo projecto. Custou-me abrir mão dos nossos belos escudos, mas é um prazer ter práticas com um alemão e estudar em Espanha, sendo eu portuguesa. Quando fui para Cádiz, ainda tive de comprar pesetas e fazer contas à vida, para ter uma noção dos preços. Agora, tudo é mais fácil e este verão pude passar 33 dias por toda a Europa sem usar um passaporte.
Não sei onde terminarei. Falo em ir para a Covilhã, mas a vida dá muitas voltas e é uma caixinha de surpresas muito matreira. Digo-o por experiência prórpia! Seja como fôr, aminha fé em que tudo acontece por uma razão, facilita-me um pouco a vida mas só um pouco, porque nem sempre aquilo que queremos é o melhor para nós, num determinado instante).
Vi com prazer as imagens das comemorações dos 50 anos do nascimento do que é hoje a comunidade Europeia. Creio que tenho hipóteses de assistir ao 100º aniversário do Tratado de Roma e dizer aos meus filhos, orgulhosamente, que ainda nasci no século passado (o meu século favorito, apesar de todas as desgraças que aconteceram) e que ainda sou do tempo em que Portugal aderiu a esse projecto inovador chamado, na altura, CEE.
Entretanto, o futuro é uma incógnita! Pode ser que o século XXI seja ainda mais fascinante do que o século XX...
PS: A comunhão e a rivalidade saudável dos vários países é interetessante e bonita. No passado Mundial de Futebol (Alemanha 2006), deu-me raiva ver a nossa selecção ser derrotada pelos franceses novamente por penalties e revoltei-me ao vê-la levar porrada das holandeses, mas assistir aos jogos nos bares e cafés, com os amigos e os “ininmigos”, foi deveras divertido e emocionante.
domingo, 1 de abril de 2007
Bricolage
O que eu não entendo é por que é que ainda há pessoas que continuam a achar que algumas tarefas ou algumas profissões deveriam ser exclusivas de mulheres ou de homens! Naturalmente, é mais fácil ver os homens a trabalhar na construção civil, que as mulheres, assim como é mais frequente vermos babysitters mulheres, que homens. Mas não pderão ambos os sexos fazer idênticos trabalhos?! Depende mais da pessoa em si mesma, que do seu sexo...
Fui com a minha mãe ao Ikea comprar umas caderias para cozinha e montámo-las nós mesmas. Aquilo não tinha dificuldade nenhuma! Ambas adoramos bricolage!
Isto fez-me recordar a minha casa-de-banho do ano passado, com o cano do lavatório sempre entupido. Não havia meio de aquilo se resolver e eu, cansada da situação, pedi emprestada a um vizinho uma chave de parafusos e tratei eu mesma do assunto. Poupei tempo e dinheiro e tirei do cano uma molho de cabelos tão grande que dava para fazer duas cabeleiros postiças! Claro que, se não sei e não percebo, não mexo! Mas há coisas que qualquer um pode fazer...
Se há coisa que odeio, é depender dos outros! Naturalmente, todos precisamos uns dos outros, mas há uma grande diferença entre precisar e estar dependente.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Winds of changing
Se há uns anos atrás me tivessem dito que este ano lectivo me sentiria assim, eu não acreditaria! Assim, como? Pois, ao rubro, sem palavras para descrever a intensidade das emoções que cada novo dia me vai trazendo. E o pior é que o tempo voa, escapa-se-me... E eu näo sei o que fazer...
Definitivamente, sopram ventos de mudança! Tenho andado tão absorta, tão mergulhada neste oceano sem fundo de pensamentos, recordações e sentimentos, que negligencio alguns aspectos da minha vida. Mal como, mal durmo, mal me concentro. Pareço um cano entupido!
A minha vida prepara-se para dar mais uma volta de 180º, mas não é isso que me preocupa. Antes, quero terminar de arrumar bem este passado e fechar a porta atrás de mim com a tranquilidade de quem sabe que chegou ao fim. O que estou prestes a terminar é muito mais do que um curso, é uma metamorfose. E ainda que a borboleta tenha uma vida curta, vale a pena deixar de ser larva!
Por todos os lados sopram ventos de mudança, que me envolvem num remoinho que me deixa desorientada, mas, também, feliz, como se fosse uma droga.
Aos meus queridos amigos de Lisboa, peço desculpa por não estar tão presente como costumava, em todos os sentidos. A verdade, é que a minha vida não é a única em pleno processo de transformação e sem nos darmos conta, os ventos de mudança revolveram as nossas vidas e já nada é como antes. Tenho saudades do passado, mas encaro o futuro cheia de fé e esperança. Pensamentos positivos, lembram-se?!
Com todo o meu carinho, RD
terça-feira, 6 de março de 2007
Sócrates
Ah... natureza! Ah... Se fôssemos só animais, perderíamos o mais importante da vida. Mas se fôssemos só racionais, perderíamos o mais divertido!
Agora que percebi, já não estou zangada, já não me pesa o mau humor, antes, sim, a tremenda vontade de fazer disparates e de abraçar toda a gente. Pena que não o possa fazer...
Oficialmente, ficam aqui decretadas a minha loucura e a minha paixão pela vida! E seja o que Deus quiser...
PS: Pode ser que percebam sobre o que estou a falar... pode ser que não! Eheheh
segunda-feira, 5 de março de 2007
Marinheiros à deriva e ovos estrelados
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Mais vale tarde, que nunca!
A ideia veio da minha necessidade de fazer exercício físico. Não que eu esteja uma baleia... Simplesmente, vivia com a sensação de ter um corpo enferrujado e sentia saudades daquele cansaço gostoso que sobrevém depois de um exercício relativamente puxado. O meu curso tem-me obrigado a muitos sacrifícios e esse era mais um deles. Muitos não perceberão ou não concordarão, mas eu cá sei ao que me refiro...
Enfim, começar a andar de bicicleta era matar dois coelhos de uma cajadada só: punha-me a mexer (mente sã em corpo são!!), divertia-me, relaxava-me, fazia-me poupar algum dinheirito em viagens de autocarro de cada vez que quisesse visitar os amigos que vivem mais longe de mim (faz-me sempre um jeitaço ter mais alguns trocos quando chega o fim do mês...) e ainda podia livrar-me, por fim, do sarcasmo dos meus amigos e do sorriso incrédulo dos conhecidos que ficam a saber que eu não tinha aprendido a andar de bicicleta quando era garota. Ora vamos lá a ver... parece que, afinal, matei uma coelheira inteira...
Resultado: o meu pai dispôs-se a arranjar uma bicicleta de adolescente que me tinham comprado há uns anos atrás, que estava quase nova, mas que eu nunca tinha podido utilizar. Encheu os pneus, apertou os parafusos soltos, pôs travões novos, faróis e uma pequena e estridente campainha com um leãozinho colado. Está uma gracinha! Bem sei que é uma bicicleta pequena para mim, mas cabe no carro e é suficientemente grande para eu poder andar. Parece uma daquelas que os miúdos usam para fazer acrobacias! Quando passo na rua, lá em Cádiz, há sempre alguém que se ri. E eu rio-me também. Admito que fica um pouco estranho, mas é o que há!
Ainda me lembro de ir de férias com alguns amigos e ter aceite o desafio para ir dar umas voltinhas com eles. Céus! O que eu sofri nesse dia... Mas agora, até já tiro uma mão do voltante! Não se preocupem! Sou uma condutora responsável, paciente e muito simpática. Só atropelo rapazes bonitos e solteiros...
O mais interessante de toda esta história foi ver o meu pai todo entusiasmado em me preparar a bicicleta. Quando, finalmente, ficou pronta, levou-me para o largo das traseiras da minha casa e pôs-me a dar voltinhas, enquanto me enchia de conselhos. Não precisei daquelas rodinhas que se põem atrás. Vá lá, se estiverem a pensar nisso, podem tirar o cavalinho da chuva e tornar-se menos ruins.
Todo babado, o senhor Comandante lá me mirava com os seus cabelos e barbas grisalhos e olhar enternecido. Era notório que aquilo lhe dava prazer! As pessoas esquecem-se que são as pequenas coisas, como isto, que fazem a nossa felicidade. E embora estivéssemos 10 ou 15 anos atrasados, lá estávamos os dois, numa cena memorável de pai e filha. Podem crer que nunca mais vou esquecer! Penso que o meu querido papá se redimia. E a mim, também me fazia feliz vê-lo assim, satisfeito. Mais vale tarde, que nunca!!!
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
A mulher das calças
Enfim, íamos nós por aí acima, quando reparo que vêm a sair do edifício principal dois palhacinhos daquele grupo que anda a animar as crianças pelos hospitais. São verdadeiramente impressionantes e o seu trabalho louvável e muito necessário. Mas nesta curta história, eles não são os protagonistas. Atrás deles, dou-me conta, por acaso, de uma senhora de meia-idade a quem caem no chão, subitamente, as calças. Palavra! Pois a boa mulher, em vez de puxá-las rapidamente para cima e olhar a toda a volta, disfarçadamente, para se certificar de que ninguém se deu conta, baixa-se, sim, para puxar as calças, mas devagar, rindo-se a plenos pulmões e deixando todos surpreendidos. Só eu, a minha mãe e umas empregadas de limpeza que estavam sentadas a descansar é que nos demos conta. Os outros, com certeza, pensaram que a mulher era doida. Nenhuma de nós conseguia conter-se e as lágrimas já nos rolavam pela cara abaixo, como se nos tivessem dado um par de tabefes. E aí foi ela, rua abaixo, rindo-se sem parar e dizendo que nunca pensou que lhe pudesse acontecer uma coisa daquelas. Ah! Que sentido de humor admirável! Aquilo, só vendo! Contado assim, até perde a piada... Parecia uma cena tirada daqueles apanhados de vídeo que costumavam fazer na Euronews!
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
A propósito da vida humana
Saíu da incubadora e está pronta para ir para casa com os pais, com cerca de 4 meses de vida. Disseram os médicos que ela deveria adquirir as capacidades dos bébés normais de uma forma mais lenta, dada a sua prematuridade, mas até nisso ela tem sido uma surpresa!
Claro que teve as suas complicações... infecções respiratórias, problemas digestivos, hemorragia cerebral... mas parece que nada disso lhe deverá deixar sequelas. Será?
Milagre? O que é um milagre? Seja o que fôr, abençoada criança! Que seja muito feliz! E que me perdoem os outros profissionais, mas a medicina e a enfermagem são do mais priveligiado que há! Lidar assim de perto com a magia e o poder da vida humana, para o bem e para o mal, é... aiiii...
Obrigada, Deus, por esta benção!
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Esperança

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Free (almost) as a bird
O leão serenou um pouco, mas a fúria ainda lá está, contida, à espera de sair, qual panela de pressão. Acontece que estou, efectivamente, decidida a transformá-la em algo de positivo. É uma força cuja intensidade não se pode desperdiçar!
Por agora, pelo menos durante cerca de um mês e meio, acabaram-se os exames chatos e difíceis e, portanto, estou um pouco mais livre para fazer aquelas coisas pelas que tanto anseio. Free (almost) as a bird! O problema está em que, ironicamente, hoje levantei-me meio desorientada, sem saber bem o que fazer ou por onde começar. Topam o absurdo da situação??!! Acho que, um dia que me reforme (ainda nem comecei a trabalhar e já estou a pensar na reforma?!), serei daquele género de pessoas que não poderá estar parada. Sim, certamente! Se parar, morrerei! Enfim, levantei-me, liguei rádio, olhei para a minha secretária desarrumada e para a minha casa não muito suja, mas a precisar de uma limpeza e pensei que há coisas de que nunca nos safamos... Esta vida de estudante está a dar cabo de mim! Raparaparaparaparaparari... Apesar disso, já estou cheia de saudades desta vida. Isto admite-se?! Parece que vivo em dois tempos diferentes, simultaneamente.
Eheheh! O mais giro é eu estar aqui na biblioteca, viajando na maionese (como dizia meu amigo brasileiro), enquanto os outros desgraçados marram nos livros. Bom, nem todos. Os meus vizinhos, queridos colegas portugas, divertem-se a jogar poker no PC. Isso mesmo! Um destes dias tenho que vos falar sobre eles! São uns personagens! Aproveitem para cuscar o blog deles (aqueleblog.blogspot.com) e divirtam-se!
Bem, isto hoje não está a correr bem. Acho que vou indo.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Como um leão enjaulado
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Cacifo que não abre
Um pequeno à parte, até porque este episódio é sobre o meu cacifo: acompanha-me há já quase 6 anos e está muito bem localizado na grande macissez hospitalar, no piso 01, logo não tenho de subir escadas, e no primeiro lance de cacifos, mesmo no início (1º coluna) e ao nível da minha altura, logo não tenho de me baixar para o abrir...que preguiçite crónica não !!??
Bem, mas retomando o anterior, depois de voltar da enfermaria e antes de ir para o almoço, lá ia eu no ritual usual desta hora, abrir o cacifo, tirar bata e estetoscópio, vestir o acessório, pegar na senha grátis de alimentação...mas no início desta dinâmica rotinada, havia algo que oferecia resistência...não conseguia abrir o cacifo! Pus-me a pensar o porquê de tanto entrave e deu para perceber que de tão cheio que estava, exerceria pressão sobre o sistema da fechadura.
Pedi ajuda a uns colegas para inclinar para trás, e em bloco, o bloco de cacifos, para que a gravidade também desse uma ajuda e o conteúdo do cacifo desimpedisse a fechadura. Mas estava complicado e até surgiu mais um imprevisto...o vidro grande e fosco que estava por detrás acabou por se partir parcialmente...e parte dos estilhaços iam caindo em cima de um senhor que estava sentado, do outro lado, num banco “tipo de jardim”...sim, um daqueles que existe perto da sala de alunos! Claro que depois disto, uma auxiliar que passava por ali, no timing certo, começou a refilar e eu tive de apaziguar e explicar o sucedido...
No meio deste impasse, surge um colega mais encorpado e despachado que reparou no sucedido e pediu a todos que cessassem o esforço. E lá vai ele, todo decidido e com alguns cavalos de força, começar a maltratar o dito cacifo...e depois de várias marteladas lá conseguiu...
Mas acho que não aprendi muito com este filme, até porque o cacifo continua a rebentar por tudo o que é lado...
Ah!.. e o tal vidro ainda continua partido...não se dá muito por isso...mas é para continuar?

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Uma questão de hormonas
Seja como fôr, há uma coisa que não se pode negar: há espécimens do sexo oposto que nos fazem perder o controlo! São aqueles homens ou aquelas mulheres cuja embalagem exterior (o seu corpo) é deslumbrante para os nossos olhos e nos ofusca o discernimento, pois comportamo-nos como se nos esquecêssemos de que também há que olhar para o conteúdo dessa embalagem. Isso não tem nada a ver com hormonas! É uma complicada e ainda não esclarecida questão química. Pois bem, eu nunca fui daquelas adolescentes que colavam recortes de revistas por todo o quarto com fotos dos seus "ídolos masculinos", embora houvesse quem não me deixasse indiferente. Acontece que, até agora, não havia nenhum homem para quem eu olhasse e me fizesse sentir que perderia o controlo. Ai, meu Deus... Há uns tempos atrás, descobri-o! E ironia do destino, renova o significado de deus romano, não fosse ele um italiano nascido em Roma. Admito que se este homem olhasse para mim como um homem olha para uma mulher, eu teria bastante dificuldade em me manter sóbria no meio da súbita subida dos meus níveis de feniletilamina. Para quem não sabe e segundo o meu professor de Sexologia (cadeira opcional na minha faculdade de medicina espanhola), esta é uma substancia cuja concentração dispara no nosso corpo, qual endorfina extasiante, quando estamos naquele maravilhoso processo de nos apaixonarmos. Mas o que é que faz, realmente, com que se dê esse "disparo químico" (provavelmente, o equivalente à flecha do cupido)? Isso, creio que ninguém sabe... E valerá a pena descobrir? A curiosidade é muita, mas... não será melhor desfrutar dessa encantadora sensação, em vez de lhe retirar toda a magia, estudando-a num balãozinho de laboratório? Bom, de qualquer forma, não me parece que isso explique a complexidade do amor entre duas pessoas. Quanto muito, explicará a atracção física. Sim, porque eu não me apaixonei por esse deus romano... E já agora, ele tem nome. Procurem no google imagens de Raoul Bova e depois digam-me o que acharam. ;)
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Por que é que é sempre preciso um título?!!!
Apesar de tudo, a alma continua livre. A minha, pelo menos. Não gosto de me sentir presa ou obrigada e não admito que nada nem ninguém tenha a veleidade de querer controlar-me, dominar-me. Por isso, a monotonia do quotidiano não conseguirá ofuscar o brilho dos meus olhos, a vitalidade que me corre nas veias, nem mesmo em dias como o de hoje, em que me sinto rebentar pelas costuras com tantas ideias e desejos que trago dentro de mim. A vida é muito mais do que as simples responsabilidades do quotidiano e ignorar isso é como desperdiçar o mais valioso de todos os presentes: o simples facto de existir. Quando se anda por um hospital cheio de gente doente, a inconsciência do tesouro que é a vida torna-se numa negligência ainda mais horripilante.
Em anos de mudanças radicais, de transições de uma etapa da vida para a outra (como aquele que vivo neste momento), não consigo ficar indiferente às emoções que sinto e o ram-ram do dia-a-dia é como uma corrente de chumbo, pesada, que nos ata os pés e nos dificulta a marcha (semelhante às dos desenhos animados). Portanto, pequenas coisas como escrever neste blog estão para mim, como a lata de espinafres está para o Popeye: bota goela abaixo e cá vai disto!
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Pensamentos que me ocorrem quando estou na biblioteca
Parece-me que tudo se passou demasiado rápido e, simultaneamente, demasiado lentamente. Tenho a sensação de viver em duas realidades paralelas: uma, a real, a do tempo presente; outra, a psicológica, a das constantes viagens no tempo. Se, por vezes, esta sensação é incómoda, outras vezes é como uma verdadeira droga e eu sou a mais viciada de todas as pessoas que a experimentam. Faz-me sentir muito viva e lembra-me o quanto tudo na vida é tão efémero e relativo. Porque a cada passo que dou algo me recorda o que já vivi e me faz pensar em como a minha realidade mudou, em como eu cresci. Céus! A minha mãe disse-me, um dia, que os nossos sentimentos parecem pobres quando traduzidos por palavras e ela estava coberta de razão. Como posso explicar isto? Só posso dizer que me sinto esmagada pela intensidade desta emoção.
Hoje, a biblioteca está quente e cheia de gente e isso só agrava a moleza do meu corpo e a minha pouca vontade de estudar, ao mesmo tempo que me estimula a pensar naquilo que não devo. Sabem como sabemos que estamos velhos numa faculdade? Quando olhamos para as pessoas à nossa volta e quase não reconhecemos ninguém! lol
Observo um dos meus colegas portugueses que se muda de lugar. Ele olha para mim um pouco espantado e eu rio-me. É um malandro cheio de sentido de humor e inteligência, mas não se dá a conhecer facilmente, o que é uma pena. Bom, pelo menos, para mim. Outro, brinca com a caneta, tentando concentrar-se. Quando aqui cheguei, isto era um deserto. Agora, formamos uma comunidade interessante e juntamente com os brasileiros, a coisa fica ainda mais animada. Espero que todas estas pessoas sejam felizes enquanto estiverem aqui e que, um dia, possamos voltar a encontrar-nos.
Hoje, estou com a macaca! Só me apetece dar o grito do Ipiranga, pintar a manta e abraçar todos aqueles que me são queridos. Infelizmente, isso não é possível, pois nem todos estão aqui, fisicamente perto de mim... É a dureza da imigração!
Tenho muitas coisas para dizer. Serei capaz de traduzir os meus sentimentos por palavras? Logo se verá...
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Há coisas que me custam a entender
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
a cabeleira
Foram muitas as árvores que aprendi a identificar com estas lições, mas mais ainda são aquelas cujo nome desconheço por completo! Com tanta árvore por este mundo fora só não percebo que ideia marada foi aquela que tive nos tempos do colégio!
As tesouras sempre constituíram um material de grande utilidade para as crianças. Naquele dia os cabelos foram as vítimas! Com uns golpes consentidos e outros menos (a Barbie lá do sítio desconhece por completo o seu contributo…), foram de todas as cores as madeixas que recolhi na minha turma. Depois, juntamente com os meus cúmplices, fazendo uma covinha no canteiro, “semeei” aquela que viria a ser uma nova espécie de árvore: a cabeleira.
Quando digo “viria a ser” significa que, para os pseudo agricultores, era mais que certo ter ali, num futuro próximo, uma frondosa e bonita árvore que no Verão seria morena, loura no Outono e careca no Inverno (a estação primaveril ficou por colorir).
Pois é… para quem tem capacidade para aceder a um blog e ler estas linhas, é fácil concluir que o local permaneceu vazio! Para quem tem a idade das tesouras e pôs esperanças naquele pedacinho de terra, a culpa esteve na falta de rega! Sábia conclusão!
Há anos que não vou ao colégio! Confesso, no entanto, que quando um dia lá voltar (e isto não contem a ninguém), serei incapaz de não ir espreitar o dito canteiro… just in case…

A Árvore da Vida-1905
Gustav Klimt
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
Uvas vs Bicicleta
sábado, 23 de dezembro de 2006
História de uma caneta...
Do fôro psiquiátrico com amor
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Matarruano
Eu tinha o carro estacionado numa determinada rua estreita de Lisboa há já 3 dias...tudo normal até agora, certo?? Mas atenção!!! Bem estacionado e dentro da lei, e eis senão quando, decido tirar o dito carro...mas não estava fácil, e porquê? Seria do condutor? Neste caso não... tinha um carro atrás a bloquear a saída...que vendo bem, até é normal quando se trata de uma rua estreita em Lisboa (caos). Começo a apitar para ver se o condutor do bólide dava sinal de vida...houve uma pessoa que se revelou ser um falso alarme, não era o seu carro...mas passado mais alguns minutos e uns decibéis a mais, apareceu uma espécie na casa dos 40 anos, tipo matarruano, com corpo preguiçoso, olhos encovados e de perturbado, barba por desfazer, cabelo anti-shampo que pareceu dirigir-se para o "outro" carro...abordei-o com um Boa Noite e perguntei se aquele seria o seu carro, ao que ele respondeu: GrrrhGrhhh (não percebi o dialecto). Agora o leitor acharia que tudo se resolveria por aqui...nada disso! O "Zé Matarruano" fez marcha-atrás para aí uns 20 cms bem medidos, que não dariam, nem para um Smart (não era o caso), o espaço suficiente para fazer a manobra. Saí do carro, e interpelei educadamente o tal senhor, o qual saiu do carro à bruta e provido de um taco de Baseball...puxou o taco atrás e lá ia eu levando uma bastonada se não tivesse estado minimamente calmo e não tivessem aparecido umas pessoas no timing certo ...entretanto a minha irmã que estava dentro do meu carro, aquando da manobra mal sucedida por dificuldade alheia, saiu do seu lugar e começou a gritar e a perguntar que algazarra seria aquela e se o Homem teria saído de "algum Júlio de Matos"; desta feita a espécie Matarruano Matarrunae Brutus investe a sua idiotice sobre ela e foi aí que uma Carmo e uma tal de Trindade caíram...pelo que eu participei do sucedido à polícia local. Convém notar que depois de saneada a confusão, e já a caminho da polícia, passou um carro patrulha em sentido contrário, o qual não reagiu a sinais de luzes/apitos do meu carro, continuando serenamente o seu caminho com o objectivo de chegar "não sei aonde e não sei a que horas".
Tenho dito.
Esta poderia ser a máscara desta espécie rara:
Isto é uma EsPéCiE dE BLoG
Esta nova espécie sem taxonomia para já, ainda não determinou qual ou até quais os seus propósitos, o que pretende vir a ter para caçar, que habitat pretende primeiro, para estar...e, depois, sim "estragar"...
Mas calma...este novo "specimen", The Special One, pode falar sem baralhar, da intemporal Selecção Natural, que te desafia em constantes provas de quase-fogo ou até de fogo e, que te incendeia desde a tua 1ª célula até à última que perecerá...por isso deixa o rastilho do teu rumo bem aceso, com testemunhos que desenrolares da tua mente, essa sim pertencente a uma Espécie bem conhecida e às vezes desmedida.
Se conseguiste ler até aqui, considera-te um resistente... por isso não deixes em reticências o que podes dizer com um conjunto de letras, que juntas formam códigos (i)lógicos e que num encadeamento estabelecem um sentido, que por sua vez subentendido ou não, pode revelar muito do teu Ser!
Junto envio uma rima fácil que inventei e que constitui o Meu Azimute: